"Foi uma selvajaria"

Os ataques coordenados dos terroristas islâmicos à capital económica e tecnológica da Índia causaram a morte a pelo menos 125 pessoas e deixaram mais de 300 feridos. Os tiros e as explosões começaram na quarta-feira à noite e continuavam ontem em vários locais de Bombaim.
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"Vinha de uma reunião de negócios quando ouvi os disparos e as explosões. Pensei que fosse uma rixa, mas depois apercebi-me de que era algo importante. Foi uma selvajaria." O advogado português Pedro da Costa Mendes acabava de testemunhar o início de um dos mais graves ataques em Bombaim (actual Mumbai). O balanço ainda provisório indicava a morte de 125 pessoas, quatro delas estrangeiras. Seis portugueses que estavam num dos hotéis que foi alvo dos terroristas conseguiram escapar ilesos.


O advogado da CNCM, do Porto, estava hospedado no Hotel Meridien, que escapou à vaga de ataques de quarta-feira à noite. "A sociedade indiana está completamente constrangida e envergonhada com a situação porque estão a testemunhar algo que, para eles, era inimaginável. Já tinham sido alvo de explosões, mas nada comparado com isto... disparos indiscriminados, até nos hospitais", contou.


A situação ontem era mais calma. "Há um forte dispositivo militar nas ruas, com check points e helicópteros a sobrevoar a cidade", disse Costa Mendes, admitindo ter sentido "alguma apreensão", mas não "medo". O português afirmou que a zona central da cidade estava isolada, mas que de resto a circulação era fácil. "O trânsito está anormalmente bom para a Índia", referiu. A mesma calma foi relatada à Lusa pelo indiano Telesforo Fernandes, professor de Português na cidade: "As pessoas não estão preocupadas, porque sabem que os terroristas estão naqueles dois hotéis."


Costa Mendes tinha previsto deixar o país ainda ontem: "Tinha voo na Lufthansa, mas foi cancelado porque a tripulação estava retida num dos hotéis. Mas já arranjei outro voo."


Os seis portugueses que escaparam do Hotel Taj Mahal, onde alguns estrangeiros foram feitos reféns, acabaram por ser alojados noutros locais e estão só à espera de conseguir os documentos necessários para deixar o país, contou ao DN fonte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Estão todos bem, tal como os outros nove portugueses que se encontram na região e que comunicaram com os seus familiares em Portugal. Caso necessitem, indicou a mesma fonte, poderão ser repatriados em aviões franceses, graças a um acordo estabelecido entre Lisboa e Paris.


O embaixador de Portugal em Nova Deli, Luís Filipe Castro Mendes, contou à Lusa como uma turista portuguesa entrou em contacto com a embaixada. "Falei há momentos [noite de quarta-feira] com ela. Estava obviamente abalada com o que aconteceu e preocupada porque ficou sem os documentos", afirmou, explicando que os portugueses não chegaram a ser feitos reféns.

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